Retraumatização e a cidade de Petrópolis

Retraumatização e a cidade de Petrópolis

Em fevereiro a cidade de Petrópolis foi atingida por um temporal que destruiu parte do município e vitimou centenas de pessoas. Uma catástrofe que deixou marcas e traumas na população. Pouco mais de um mês depois, uma nova tempestade causou destruição, quando ainda se recuperavam dos estragos da tempestade anterior.

Vivenciar um incidente crítico pode provocar reações emocionais intensas que interferem na saúde mental do indivíduo comprometendo suas funções ocupacionais e sociais, e gerando estresse.

O estresse é um mecanismo que faz com que o indivíduo esteja alerta diante de situações de perigo, é uma reação normal mas se torna uma patologia quando gera sofrimento psicológico.

Por esse motivo é importante acompanhar a forma com que o indivíduo lida com o trauma. Quando ocorre sofrimento subsequente à exposição a um evento traumático, podem ser necessárias intervenções psicológicas e psiquiátricas. Possibilitando que o indivíduo entenda sobre o transtorno, desenvolva recursos para lidar com ele e os reestruture cognitivamente.

No caso de Petrópolis, essa segunda tempestade pode ter causado uma retraumatização, ou seja, os indivíduos foram expostos a situações que provocaram o estado de vulnerabilidade similar ao vivenciado no primeiro trauma. Por estarem mais sensíveis, e pela proximidade dos eventos em adaptação ainda, é necessário atenção redobrada à saúde mental dessa população.

O desenvolvimento de habilidades para lidar com o trauma é essencial para o bom andamento do tratamento já que, enquanto essas habilidades não forem desenvolvidas há risco de agravamento das reações de estresse e dos sintomas do transtorno em si.
Sabendo que eventos traumáticos são imprevisíveis, é importante que o cuidado com a saúde mental seja constante para que, caso algum evento ocorra, o indivíduo possua melhores habilidades para lidar com o trauma.

Texto: Psicóloga Thais Costa (@thaiscosta.psi)

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