Burnout e o dia do Trabalho

Burnout e o dia do Trabalho

O trabalho tem sido atrelado ao burnout

Na data de 01 de maio comemora-se o Dia do Trabalho. Muito se sabe sobre a criação dessa data comemorativa, porém passados dois anos de pandemia, isolamento, home office e muitas alteração no modo de trabalho; a maioria dos profissionais não conseguem vislumbrar o que comemorar nesse dia.
O trabalho atualmente tem sido atrelado imediatamente à uma outra palavra: burnout. Nem sempre utilizada corretamente pois burnout é muito diferente de cansaço, estresse ou estafa. O burnout é um quadro que sempre existiu em relações de trabalho, gerações anteriores já experimentavam esse quadro composto pela tríade: exaustão emocional+ despersonalização + baixa realização profissional; ainda que sem definição ou sem a devida importância por conta das crenças e comportamentos comuns às gerações anteriores. Alguns teóricos equiparam o burnout à neurastenia, quadro comum no século XIX, resultante do esforço e condições de trabalho ruins da Revolução Industrial.

Como a síndrome foi reconhecida?

O reconhecimento da síndrome através de um diagnóstico psicológico data de 1974, pelo psicólogo Herbert Freudenberger em casos de colapso físico e/ou mental decorrentes do excesso de trabalho. Em maio de 2019, a OMS reconheceu a síndrome como um fenômeno ligado ao trabalho, como o resultado de estresse crônico de natureza laboral não resolvido adequadamente.
Nossa geração, os Millenials têm sentido com maior profundidade os sintomas da Síndrome de Burnout. Seja pelo motivo das diversas incertezas econômicas e/ou políticas, seja por todas as modificações exigidas pela pandemia no que tange à natureza do trabalho ou mesmo por características específicas dessa geração. Fato é que, apesar do burnout sempre ter existido, contemporaneamente sua maior característica está no seu alcance indistinto.
Se antes professores e bancários eram os maiores expoentes, se os profissionais da saúde encorparam o grupo durante os anos pandêmicos hoje profissionais liberais, com horários flexíveis e escritórios coloridos também são acometidos pelo burnout. E antes que se considere que eles não estimam sua profissão, é exatamente o contrário. Fatores como falta de rede de apoio, salários insuficientes, deslocamentos cansativos, medo de tirar férias e voltar desatualizado, ausência completa de direitos ou benefícios são estressores mais contemporâneos que se somaram à carga horária excessiva, cobranças descabidas, ambientes de trabalho tóxicos, que eram estressores mais conhecidos e tradicionais.

Mas como saber quando é Burnout e não estafa?

A melhor definição é que “Exaustão significa ir a um ponto em que não é possível ir além; burnout significa chegar a esse ponto e se forçar a continuar, por dias, semanas e anos” (Petersen, 2021). Os três principais aspectos que indicam um quadro de burnout, e ressalta- se aqui que são apenas indicativos, visto que o quadro é multidimensional, são:

  • Exaustão emocional: sem recursos emocionais, o indivíduo se sente sem energia ou disposição para lidar com as normas organizacionais, colegas ou clientes.
  • Despersonalização: surgem uma série de pensamentos negativos ou um quadro de apatia emocional frente aos colegas ou público.
  • Baixa realização profissional: devido à sua insatisfação há a tendência a avaliações negativas sobre si e sobre sua jornada profissional.
    O tema saúde mental dos colaboradores deve ser o cerne principal das ações de RH das empresas. Ações como rever condições laborais, ouvir as ponderações dos colaboradores, flexibilizar o retorno ao presencial, criar redes de apoio e de benefícios, palestras e ações diárias de valorização do colaborador e de sua plenitude tem se mostrado como exemplos de ações eficazes no combate ao burnout e suas consequências tanto na vida do indivíduo quanto na estratégia e funcionamento da empresa.

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