ATENDIMENTO

Tijuca, Barra e Ipanema

Relacionamentos abusivos: Não, a mulher não gosta de sofrer

Talvez você não estivesse enxergando que precisava de ajuda” disse Vivian à Emily no momento que seu namorado Marcos foi expulso da casa do BBB pelas agressões feitas a sister, e a mesma se encontrava em desespero pela saída dele.

O BBB trouxe à tona um assunto muito polêmico e que deve estar em pauta sempre: a violência contra a mulher.

Como psicólogos atendemos diariamente vítimas desse problema, e que, muitas vezes, nem se dão conta. Não se dão conta, pois, além da vítima estar emocionalmente envolvida, o que pode dificultar que ela tenha clareza da situação (quantas pessoas já se apaixonaram por alguém e depois pensaram: como gostei dele(a)?), o agressor também, não necessariamente a agride fisicamente, e é por isso que a lei Maria da Penha contém outras formas de violência, como a material e a psicológica.

O preconceito que existe em relação a mulheres que se mantém em relacionamento com seus agressores é uma mola propulsora que aumenta muito o seu poder sobre a vítima, uma vez que a mesma, já estando com sua autoestima estilhaçada devido ao jogo psicológico que o ele a submete, encontra julgamento em amigos e na sociedade, se sentindo sozinha e acreditando nas palavras muitas vezes proferidas por ele: “você só tem a mim”, “você só pode contar comigo”, “ninguém nunca vai te querer, só eu te aguento”, e por aí vai. Uma das grandes técnicas usadas pelo agressor é afastar a vítima da sua rede de apoio (família, amigos e etc.). O preconceito e julgamento dos mesmos fazem que esse trabalho nem precise ser feito por ele. A vítima sofre sozinha e sem apoio. Ele fortalece seu poder sobre ela.

É importante deixar claro que não existe “mulher de malandro”, que não tem “mulher que gosta de apanhar”. Algumas mulheres ainda comentam que “se fosse comigo seria diferente” “eu nunca aceitaria isso”. Na verdade não temos como saber se aceitaria ou não. Mulheres que estão nessa situação não são fracas, que gostam de apanhar, que não sabem se valorizar. O agressor desempenha um papel cruel de “morde e assopra”, de culpabilizar a vítima, de ser maravilhoso e o melhor homem do mundo em um segundo, para, no segundo seguinte, desqualificar, agredir (não necessariamente fisicamente), culpar. Aos poucos a autoestima vai se ruindo, e a vítima vai duvidando até da sua sanidade mental.

“Mas ele é tão maravilhoso, se ao menos pudesse controlar o temperamento…” (os momentos bons costumam ser realmente muito bons, mesmo que durem pouco), ou ainda pior: “ele é tão maravilhoso, se ao menos eu conseguir me comportar de maneira que não a não deixá-lo tão  estressado”. O problema é que essa maneira não existe. Nesse jogo de tortura psicológica não tem como ganhar.

É comum atendermos mulheres que não entendem como foram parar ali, em uma situação que repudiavam, que quando não estavam nela diziam que JAMAIS aceitariam nem metade daquilo. Normalmente não se começa já daquele ponto, começa aos poucos, e aos poucos, com a manipulação do agressor, a mulher vai cedendo, perdoando, acreditando que vai mudar. Os limites que eram claros passam a não ser tanto, e quanto mais essa corda é esticada (a do limite), mais ela sofre, mais ela se sente frágil, mais o agressor cresce e menos ela consegue reagir. Não por “ser mulher de malandro”, mas porque foi aos poucos foi enredada. A culpa não é da vítima e sim do agressor.

Gostamos realmente de pensar que nunca passaríamos por isso. Mas a verdade é que é tão aos poucos que quando a pessoa vê já está lá: sofrendo, aceitando, perdoando, acreditando que vai mudar, se culpando, duvidando da própria sanidade, se envergonhando e etc. E o pior: na maioria das vezes não tendo nem clareza do que está acontecendo.

Gostamos também de acreditar que os homens que fazem isso são monstros, pessoas odiosas, à margem da sociedade, quando, grande parte das vezes não são. Muitas vezes são nossos pais, irmãos, aquele amigo super fofo da faculdade que todo mundo adora, o rapaz gentil engajado em várias obras sociais, ou seja, homens tidos como “homens de bem”. Isso torna tudo mais difícil e confuso para a vítima.

Se você conhece alguém que está em um relacionamento abusivo, não condene: ajude. É importante que a sociedade busque fazer parte da solução e não perpetuar o problema agredindo ainda mais psicologicamente as vítimas.

Se você se vê em um relacionamento assim: busque ajuda. Você pode ter vergonha de contar para amigos e parentes. Busque uma ajuda profissional. Isso não significa necessariamente terminar, mas apoio para que os abusos acabem. Para que você consiga se reconstruir dentro ou fora do relacionamento.

Texto da psicologa Marseylle Brasil, sócia-diretora do CAAESM.

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