ATENDIMENTO

Tijuca, Barra e Ipanema

Reflexões sobre a adolescência e a Baleia Azul

Muito se tem falado sobre o jogo Baleia Azul, tanto pelas redes sociais como pela mídia de forma geral. Um jogo dirigido a adolescentes e controlado por pessoas aparentemente sádicas que fazem ameaças dos mais diversos tipos para que a pessoa que esteja no jogo continue no mesmo até o ato final, o suicídio. É preciso ressaltar que um jogo como esse mostra um problema de ordem social, tendo em vista que somente uma sociedade com problemas em sua base poderia criar, manter e expandir o jogo em proporções que ele vem tomando nos últimos dias. Dessa forma, precisamos pensar onde está o erro e como é possível reparar essa falha.

Deixando de lado a questão referente as pessoas que administram o jogo, fazendo ameaça aos adolescentes, crianças e seus familiares e amigos, será comentado aqui sobre como prevenir que os jovens entrem na armadilha que é esse jogo. Antes é preciso entender que adolescentes se encontram em um momento delicado do desenvolvimento. A palavra adolescência vem do latim e advém de a palavra adolescer, que significa “crescer”, “atingir a maturidade”. Diversas mudanças ocorrem nessa fase do crescimento, tanto física como mentalmente. Na sua fase inicial, com o crescimento do lobo frontal, que é responsável pela tomada de decisões, a impulsividade torna-se uma característica bem comum entre os jovens.

É nessa fase também que a busca pela própria identidade começa e os adolescentes começam a ter uma sensibilidade maior a opinião de seus pares. A busca pela própria personalidade e a impulsividade se tornam um combo perigoso e que colocam os adolescentes em uma faixa de risco para o suicídio. É aí então que entra a necessidade de uma supervisão mais próxima dos pais e, quando necessário, a ajuda profissional para que o jovem possa passar por essa fase da vida de forma saudável.

Os conflitos entre pais e filhos adolescentes não é nenhuma novidade, sendo até mesmo esperado por diversos pais. Pelos pais esperarem tal mudança de comportamento, por vezes podem não perceber que algo mais pode está acontecendo na vida do adolescente. É preciso ter uma sensibilidade por parte dos pais para analisar diversos comportamentos dos filhos e perceber quando determinadas atitudes ultrapassam o desenvolvimento normal da adolescência. Dessa forma, é interessante os pais manterem-se próximos aos filhos, saber mais sobre as suas amizades, prestar atenção aos comportamentos de isolamento, saber o que o adolescente faz na internet e com quem se comunica, além de saber se há marcas estranhas em braços ou pernas da pessoa (sinais de automutilação pode indicar uma possível depressão).

Caso a relação com o adolescente se encontre bastante difícil, estando a comunicação muito prejudicada por diversos problemas na relação familiar, é interessante e indicado a ajuda profissional. A psicoterapia, por exemplo, por vezes pode se tornar um ambiente que o adolescente pode contar os diversos conflitos característicos do desenvolvimento. Além do atendimento ao adolescente, diversos profissionais de psicologia trabalham com orientações aos pais, ajudando eles a terem uma comunicação mais próxima aos filhos, melhorando o relacionamento e impactando na família como um todo.

Dessa forma, a aproximação de pais e filhos se torna o segredo para o combate de jogos como a Baleia Azul, além de combater também o suicídio e a depressão de forma geral. Saber o que acontece na vida do adolescente, se mostrar presente e aberto ao diálogo, para conversar seja o assunto que for, é uma das chaves para poder lidar com a fase da adolescência da melhor forma possível. Quando necessário, procurar ajuda profissional também é útil, se tornando mais uma ferramenta para auxiliar a família. A adolescência é uma fase difícil do desenvolvimento, porém, com diálogo, carinho e cuidado, não precisa se tornar um martírio para a família, podendo se tornar um momento de crescimento para todos os envolvidos.

Texto da psicólogo Everton Poubel Santana (CRP 05/51039).

  • Psicólogo Everton Poubel Santana (CRP 05/51039) (CRP 05/50548): Formado pelo Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação (IBMR). Terapeuta cognitivo-comportamental pelo Centro de Psicologia Aplicada e Formação (CPAF – RJ). Possui curso de extensão em Neurociências Cognitiva e Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ).

 

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